PSICOLOGIA COMUNITÁRIA: PRÁTICAS DE SOCIALIZAÇÃO INFANTIL E INCLUSÃO DIGITAL DE ADOLESCENTES

Mary Alves dos Santos Serafim

Resumo


Este relato apresenta ações desenvolvidas em um bairro distanciado de áreas públicas de recreação e cultura que continha um Centro Comunitário desativado. Realizou-se uma pesquisa domiciliar com questionários que envolviam a composição etária das famílias, renda, escolaridade, meios de transporte utilizados e um campo onde os moradores apontariam melhorias para o espaço comunitário. Os entrevistados apresentaram predominantemente renda até dois salários mínimos (42%) e preponderância de crianças e adolescentes (46%) na composição da população. Após esta caracterização populacional utilizou-se o Centro Comunitário como local para que as crianças pudessem experienciar práticas de socialização por meio de jogos dirigidos. Os jogos envolviam o uso da biblioteca desativada do Centro Comunitário. Utilizada em etapas dos jogos dirigidos também possibilitou a divulgação de obras de literatura infantil e serviu como apoio às atividades escolares. Nestes jogos foi possível mobilizar as crianças para a percepção do modo segregatório como se articulavam com uma criança da comunidade que apresentava déficits sensoriais e que buscou participar das atividades realizadas no Centro Comunitário. Obtive-se a adesão da população adolescente na atenção às crianças e junto a estes constituiu-se discussões sobre participação social e exclusão. Aos adolescentes, o distanciamento do centro urbano era vivenciado como situação de exclusão que se intensificava com a impossibilidade de acesso à internet. Além de mediar a participação das crianças nas práticas propostas, os adolescentes mobilizaram-se para a utilização da tecnologia web como elemento de inclusão e apoio as práticas profissionalizantes. Realizou-se então uma parceria com uma instituição de ensino superior que possibilitou a utilização de laboratórios de informática. Utilizou-se imagens e pesquisas na internet, conforme proposta metodológica do fotógrafo Sebastião Salgado, como forma de discussões temáticas sobre os vínculos sociais e pressupostos ideológicos na cultura de massa. Para potencializar as ações de inclusão digital realizou-se a construção de textos em um aplicativo. Os participantes do projeto se posicionavam sobre assuntos e perspectivas presentes na mídia. Outro aplicativo empregado em apresentações coletivas foi utilizado por permitir que imagens, texto e som pudessem ser combinados. Também foi explorado como estratégia de apropriação de tecnologia de informação e expressão de vivências e saberes.


Referências


ALTHUSSER, L. Sobre reprodução. Petrópolis: Vozes, 1999

BURKE, P. História e teoria social. São Paulo: Editora UNESP, 2002

CAMPOS, R. H. F. Psicologia Social Comunitária: da solidariedade à autonomia. Petrópolis: Vozes, 1996

SALGADO, S. O berço da desigualdade. Brasília: Unesco, 2005.


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