Projeto de Extensão do curso de Direito da FAI combate violência contra a mulher e alcança milhares nas redes sociais
Projeto de Extensão do curso de Direito da FAI combate violência contra a mulher e alcança milhares nas redes sociais
Iniciativa "Basta" une prática jurídica, atendimento à comunidade e conscientização digital para auxiliar vítimas a romperem o ciclo de abusos
11/06/26, às 17h52
Gustavo Amaral - MTb: 0097737/SP
Revisão de:
O Centro Universitário de Adamantina - FAI, por meio do curso de Direito, tem promovido o enfrentamento ativo à violência de gênero através do projeto de extensão "Basta". Criada em agosto de 2025, a iniciativa protagonizada por alunos e professores une a prática jurídica à responsabilidade social, levando informação técnica à comunidade. O sucesso da abordagem tem se refletido no alcance: apenas no mês de maio de 2026, os conteúdos informativos do projeto ultrapassaram a marca de 620 mil visualizações nas redes sociais.
O "Basta" surgiu a partir do incômodo com a persistência dos altos índices de violência doméstica e familiar na região. Segundo dados fornecidos pela titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Adamantina, Dra. Patrícia Tranche Vasques, o município registrou 208 casos apenas no ano passado. Somado a isso, o projeto busca combater as "cifras ocultas": o Mapa Nacional da Violência de Gênero estima que até 61% dos abusos não chegam ao conhecimento do Estado devido à falta de informação das vítimas e de canais de acolhimento acessíveis.
"O projeto tem como objetivo principal informar e mostrar quais são as ferramentas legais que essas mulheres possuem para quebrar o ciclo de violência", explica a coordenadora da iniciativa, a Prof.ª Dr.ª Fernanda Madrid. "A difusão massiva de conteúdo permite que mulheres em situação de violência identifiquem a inserção em ciclos de abuso e acessem os mecanismos protetivos. Além disso, a FAI assume um compromisso ativo, contribuindo com o crescimento destes discentes como cidadãos e desenvolvendo habilidades que vão além de manejar o ordenamento jurídico, como a escuta empática e a sensibilidade social na recepção de demandas de grupos vulneráveis".
Para instrumentalizar a sociedade, os discentes do curso de Direito atuam em diversas frentes, que vão desde os estudos teóricos até as ações de campo. Os alunos já ministraram palestras de conscientização para mulheres em situação de vulnerabilidade atendidas pelo Fundo Social de Pacaembu e para o público da Fundação Casa de Irapuru, alcançando funcionários, adolescentes internados e internos provisórios.
Um dos grandes marcos práticos ocorreu em fevereiro de 2026, quando o "Basta" firmou uma parceria oficial com a DDM de Adamantina. O acordo viabilizou estágios acadêmicos focados no aprendizado prático do atendimento inicial às vítimas, garantindo uma imersão no funcionamento das medidas protetivas e da dinâmica policial. A união também rendeu uma palestra especial para os universitários, ministrada pela delegada titular.
Impacto digital
A fim de desmistificar preconceitos e divulgar a Lei Maria da Penha e os canais de denúncia, os estudantes apostaram nas redes sociais (@projetobastafai) como ferramenta de extensão.
A aluna do 7º termo de Direito, Franciele Rocha, que se disponibilizou para a criação e desenvolvimento da página no Instagram ao lado da coordenação, ressalta o impacto da iniciativa em sua trajetória. "Para mim, fazer parte do Projeto Basta é uma oportunidade de unir a formação acadêmica ao compromisso social, contribuindo para a disseminação de informação e para a promoção dos direitos das mulheres", afirma.
Em menos de quatro meses de existência, o perfil já conta com mais de 3 mil seguidores de forma totalmente orgânica. Recentemente, um conteúdo em formato de reels publicado pelos estudantes obteve grande projeção: o vídeo trouxe uma reflexão da Ministra do STF, Cármen Lúcia, sobre as pressões sociais e padrões estéticos impostos às mulheres.
"Esse conteúdo gerou grande engajamento e promoveu importantes debates sobre autoestima e os impactos das imposições sociais. Esse alcance demonstra que o conteúdo produzido pelo projeto tem despertado interesse", destaca Franciele. "Para nós, esse crescimento é um indicativo de que a informação de qualidade, transmitida de forma acessível e responsável, tem potencial para alcançar cada vez mais pessoas e cumprir o propósito de conscientização que fundamenta o Projeto Basta", conclui a estudante.
Todo esse conhecimento adquirido nos meios digitais e nos atendimentos presenciais é, também, revertido para a área acadêmica, servindo como aporte para a produção científica dos alunos da FAI em artigos, resumos expandidos e participações em eventos sobre a temática.