Everton Verga: a ausência de um professor que deixa marcas
Everton Verga: a ausência de um professor que deixa marcas
Homenagem ao Prof. Everton Verga, por Prof. Dr. Rogério Buchala
08/09/26, às 13h53
Prof. Dr. Rogério Buchala
Revisão de:
Há notícias para as quais nenhuma função, experiência profissional ou preparo pessoal nos oferece palavras suficientes. A partida do professor Everton Verga, nosso colega nos cursos de Administração e Ciências Contábeis da FAI, é uma delas.
Everton nos deixou depois do grave acidente ocorrido na tarde de sábado, dia 5, na rodovia PR-317, em Santo Inácio, no Paraná. Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, o veículo que conduzia saiu da pista, atingiu uma árvore e capotou. Ele recebeu atendimento de emergência e, diante da gravidade da situação, foi transportado pelo SAMU Aeromédico ao Hospital Universitário de Maringá. A partir daquele momento, a preocupação dos amigos, colegas e familiares transformou-se em esperança. Depois, infelizmente, em uma tristeza difícil de traduzir.
Mas seria injusto falar de Everton apenas a partir de seu último dia. Uma vida não pode ser resumida pelo modo como termina. Ela deve ser lembrada pelo que construiu, pelas pessoas que alcançou e pelas marcas que foi capaz de deixar.
E Everton deixou muitas.
Como professor dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da FAI, foi um docente presente, participativo e comprometido. Não era alguém que simplesmente cumpria sua carga horária e encerrava sua responsabilidade ao final de uma aula. Interessava-se verdadeiramente pelos cursos, pelos alunos, pelos projetos e por tudo aquilo que pudesse contribuir para uma formação melhor.
Era inquieto no melhor sentido da palavra.
Buscava inovar. Trazia ideias. Incentivava os estudantes. Participava das discussões. Procurava caminhos diferentes e acreditava que uma instituição de ensino precisa estar permanentemente aberta à renovação. Muitas vezes, aquilo que para outros poderia parecer apenas uma nova atividade ou uma proposta adicional representava, para Everton, uma oportunidade de aproximar o aluno da profissão e tornar o curso melhor.
Essa disposição fazia dele mais do que um integrante do corpo docente. Fazia dele parte efetiva da construção cotidiana dos nossos cursos.
Como coordenador, tive a oportunidade de acompanhar de perto essa dedicação. E talvez somente quando alguém nos falta seja possível perceber, em toda a sua dimensão, quantos espaços essa pessoa ocupava. Everton estava nas aulas, nas conversas entre professores, nas ideias que surgiam, nos projetos, nas preocupações com os alunos, nas discussões sobre o futuro dos cursos e também na convivência simples que transforma colegas de profissão em amigos.
Sua ausência será sentida justamente porque sua presença era verdadeira.
Para nós, professores, fica o silêncio de uma cadeira que não deveria estar vazia. Para os alunos, fica a lembrança de um professor que procurava incentivá-los e mostrar que a formação universitária pode e deve ultrapassar os limites da sala de aula. Para a FAI, permanece a contribuição de um profissional que acreditava na educação e procurava fazer dela algo melhor.
Entretanto, existe uma dimensão desta perda diante da qual nossas palavras precisam se tornar ainda mais cuidadosas.
Antes de ser nosso professor, nosso colega e nosso amigo, Everton era esposo de Katia Maffi e pai do pequeno Caetano.
É para eles que, neste momento, se dirigem nossos pensamentos mais profundos.
Nenhuma homenagem institucional pode alcançar a dimensão da ausência que fica dentro de uma família. Não existem palavras capazes de preencher o lugar de um marido ou de um pai. Há apenas a possibilidade de cercar aqueles que ficam com amizade, respeito, solidariedade e a certeza de que Everton continuará presente na memória das muitas pessoas que conviveram com ele.
Ao pequeno Caetano permanecerá, sobretudo, a história de seu pai. E aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo poderão, ao longo do tempo, contar-lhe sobre o professor dedicado, o colega participativo, o homem de ideias, o amigo e o profissional que procurava fazer diferença onde estivesse.
Há pessoas que passam pelas instituições. Outras ajudam a construí-las.
Everton pertence ao segundo grupo.
Por isso, sua partida representa uma perda imensa para os cursos de Administração e Ciências Contábeis e para toda a comunidade acadêmica da FAI. Perdemos um professor; perdemos um colega; muitos de nós perdemos também um amigo.
Ficam os projetos que realizou, as ideias que compartilhou, os estudantes que ajudou a formar, as conversas que tivemos e tantas outras pequenas lembranças que, neste momento, ganham um significado muito maior.
Na educação, talvez tenhamos um privilégio particular: alguma coisa de um professor permanece em cada aluno que passou por suas aulas. Um conceito ensinado, uma orientação, uma frase de incentivo, uma oportunidade oferecida ou simplesmente o exemplo profissional. Por esse motivo, professores verdadeiramente comprometidos nunca desaparecem por completo. Continuam existindo um pouco na trajetória daqueles que ajudaram a formar.
Assim será com Everton Verga.
Nós, que permanecemos, teremos de aprender a conviver com sua ausência. Mas também teremos a responsabilidade de preservar aquilo que sua presença representou: entusiasmo, participação, inquietude, amizade e compromisso com nossos alunos e com nossos cursos.
À Katia, ao pequeno Caetano, aos seus familiares e a todos os amigos, deixo, em meu nome e como coordenador dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da FAI, minha mais profunda solidariedade.
Que encontrem amparo no carinho das pessoas que os cercam e, com o passar do tempo, algum conforto na dimensão das boas lembranças que Everton deixou.
Hoje nossa comunidade acadêmica está mais silenciosa.
E certamente mais triste.
Mas também profundamente agradecida por ter dividido uma parte de sua história com o Professor Everton Verga.